A campanha Setembro Amarelo salva vidas!


O mês de Setembro se encerra hoje e, para fechá-lo com chave de ouro, falaremos sobre essa importantíssima pauta: o Setembro Amarelo.

Para quem não conhece, trata-se de uma campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio, organizada pela Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP, em parceria com o Conselho Federal de Medicina – CFM, desde 2014.

Segundo a ABP, 96,8% dos casos de morte por suicídio no Brasil estão relacionados à transtornos mentais, sendo a depressão a líder do ranking. Aqui são registrados cerca de 12 mil suicídios todos os anos. No mundo, são mais de 1 milhão de casos.

Por essa razão, é fundamental abrir espaço para debates e divulgação desse tema, alertando a população sobre a importância de sua discussão para prevenir e reduzir esses números!

A campanha é em setembro, mas falar sobre prevenção do suicídio é fundamental em todos os meses do ano!

Para ilustrar um pouco a realidade em que vivemos, nossa equipe de Business Intelligence montou alguns gráficos com dados obtidos de 4 bases de dados diferentes (United Nations Development ProgrammeThe World Bank, Kaggle e World Health Organizationreferentes aos anos de 2000 a 2015. Vamos analisá-los!

1. PIB Per Capita médio diretamente proporcional ao número de suicídios, ao longo dos anos analisadosEuropa com o maior PIB, também com as maiores taxas de fatalidade.

Neste primeiro gráfico, podemos observar o número total de suicídios em cada continente, entre os anos de 2000 e 2015, cujos valores se encontram à esquerda do gráfico. A linha indica a média de PIB Per Capita, por continente. A escala de cores também está relacionada ao PIB: cor verde representando PIB alto, laranja um PIB médio e vermelho um baixo PIB.

Com esse gráfico percebe-se que a Europa, que apresenta o maior PIB per capita, apresenta também os maiores índices de suicídio, enquanto a África, com o menor PIB, apresenta os menores números. Isso mostra que, de fato, as causas de suicídio são variadas e que não se pode formar nenhum tipo de estereótipo nem associar dinheiro à saúde mental.

2. Maior taxa de suicídios para homens, em todas as faixas etárias da vida. 


Pode-se perceber que as taxas de suicídio são, em todas as faixas etárias, maiores para os homens. Além disso, é possível observar que o número de suicídios para o gênero masculino tende a aumentar, e muito, com aumento da idade.

Um levantamento feito pelo Ibope Conecta aponta que depressão e suicídio ainda são tabus para homens e jovens. A falta de informação e vergonha de falar sobre esses temas reflete no número de óbitos.

Os idosos são o grupo que mais se mata: passam por muitas doresincapacitações e frustações que já são suficientes para desencadear o suicídio. Mesmo assim, são mais conscientes sobre a necessidade de acompanhamento e medicamento para tratar dos transtornos mentais que os adolescentes, segundo a pesquisa.

3. Variação da taxa de suicídios nos países da América Latina ao longo dos anos: Equador Suriname dividem o topo, Brasil no grupo de índices menores.

Com esse gráfico, é possível visualizar a variação da taxa de suicídios (casos a cada 100 mil habitantes) ao longo dos anos nos países da América Latina. Equador e Suriname lideram os índices, enquanto o Brasil apresenta, em relação aos outros, uma baixa taxa.

Então não precisamos nos preocupar? Mas é claro que sim. As taxas são menores por aqui devido ao tamanho populacional, mas em números de mortes por ano, somos um dos líderes mundiais. Em 2016, foram registradas 11.433 mortes por suicídio no Brasil: em média, um caso a cada 46 minutosDados fornecidos pelo Ministério da Saúde.

4. Taxa de suicídios menor para países com baixo Índice de Desenvolvimento Humano.

Por último, podemos observar que as maiores taxas de suicídio ocorreram, no período analisado, justamente nos locais com os maiores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH).

Mais suicídios nos países ditos "mais felizes" é o paradoxo abordado no estudo "Dark Contrasts: The Paradox of High Rates of Suicide in Happy Places("Contrastes Obscuros: o paradoxo do alto nível de suicídios em lugares felizes")elaborado por pesquisadores da Universidade de Warwick (UK), Hamilton College e Universidade de São Francisco (EUA).

A pesquisa aponta que o paradoxo tem a ver com uma comparação entre a felicidade dos suicidas e a felicidade dos outros: a felicidade alheia seria um fator de risco para as pessoas de baixa autoestimainfelizes por viverem em lugares que o restante das pessoas demonstra mais felicidade.

Novamente, isso nos faz questionar e repensar os fatores que influenciam na saúde mental, assunto que vem, ao longo dos últimos anos, deixando de ser um estigma social, assim como o suicídio em si, graças a campanhas como o setembro Amarelo. Inclusive, essa pode ser uma das causas da redução do número de suicídios, para todos os níveis de IDH, nos últimos anos analisados.

Acausas e conclusões das fatalidades são variadas, mas uma coisa é certa: precisamos falar sobre suicídio até que deixe de ser tabu!

Como já diria o título do post, a campanha Setembro Amarela salva vidas!  


Comentários

Últimas postagens